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SERMÃO DE DESPEDIDA DO PASTOR OSKAR PFISTER (1873 – 1956), tradução por Érico Werner Kepler

Artigos e Notícias

Evangelho de João 13.34: “Um novo mandamento vos dou:

que vos ameis uns aos outros,

assim como eu vos amei.”

Querida Igreja!

Pela última vez estou hoje como seu pastor ordenado diante de vocês. Foi no dia 27 de abril de 1902 que proferi meu sermão de posse neste púlpito. Dois sentimentos dominavam naquela época: alegria e receio. Os dois se confirmaram como justificados: a alegria, pois foi algo grandioso pregar durante 37 anos e meio a palavra a respeito da majestade, santidade, graça e amor de Deus, mais ainda ao lado de homens que foram não só companheiros de profissão, mas também irmãos no mais lindo e cordial significado da palavra. A alegria também se confirmou no apoio recebido das autoridades eclesiásticas e no sentir-me carregado pela confiança de uma igreja que não deixou faltar demonstrações de simpatia e sincera solidariedade. Mas também se confirmou o receio que me acompanhava como jovem pastor: o cargo que assumi, na época, por si só já abrigava uma responsabilidade que pesava bastante. Sempre de novo surgiam perguntas como “você também é digno e apto, como servo da verdade divina, como testemunha dos grandes feitos de Deus, como mensageiro do eterno amor, de ocupar este cargo?” Também se acrescentavam as dificuldades inerentes à paróquia de Predigern, como a imensa quantidade de mudanças de domicilio que atingiram até 50 por cento dos nossos membros, o que impossibilitou criar uma comunidade engajada, na qual todos se reunissem em torno do Evangelho e onde cada um se sentisse carregado pela comunidade cristã. Quão pobre é uma comunidade sem comunhão! Surgiram circunstâncias difíceis que se relacionaram com as mudanças culturais e políticas nas últimas décadas: enorme retrocesso no número de membros; desconfiança em relação à justiça e bondade das lideranças mundiais, o que provocou um afastamento entre governo e igreja.

E, mesmo assim, Deus me guardou de perder o entusiasmo no meu pastoreado. Ao contrário, hoje estou aqui com a mesma e até mais forte e alegre convicção em favor da fé evangélica do que na minha mocidade. Jamais a mensagem de Jesus Cristo se apresentou maior, mais necessária e mais encorajadora do que na atual e terrível época de guerra, que nos alerta com enorme insistência de que a humanidade vai ao encontro de uma perigosa queda d’água se ela se afastar da segura margem da verdade cristã ou se não der maior espaço ao cristianismo genuíno na configuração da vida.

Também quero dar nesta hora um testemunho de fé. Por isso, permitam-me despedir-me da despedida e dedicar-me ao que realmente importa: a palavra de salvação. Quero resumir o que tentei transmitir em aproximadamente 1.200 sermões e em bem mais de 14.000 horas de ensino. A escolha do texto também se refere a uma antiga lenda, ou seja, à despedida de um pastor de almas. Ela foi anotada no ano 400 de nossa era por Jerônimo, um dos pais da igreja, e trata do evangelista João. Quando o discípulo preferido do Senhor já era tão velho e fraco que necessitava ser carregado para dentro da Igreja de Éfeso, seus sermões se tornaram cada vez mais curtos e se concentravam nas palavras: ” Filhinhos, amemo-nos uns aos outros”. A princípio a igreja se comoveu porque achava que a fraqueza do corpo impedia o apóstolo de ser mais eloqüente. Quando em outras oportunidades o ancião falava mais, mas no culto apenas aquelas poucas palavras, um ouvinte indagou-lhe o motivo de sempre repetir apenas aquele versículo e não acrescentar mais algumas palavras. João respondeu: “porque isso somente, quando acontece, é o que basta”! E assim as palavras proferidas até a morte: “Filhinhos, amai-vos uns aos outros” foram a despedida do grande apóstolo, e se constituíram num impressionante testemunho para sua igreja em Efeso e para todas as igrejas cristãs.

Assumi meu ministério aqui com a promessa de colocar todo meu trabalho debaixo das palavras de Paulo: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine”[1]. Minha pregação final deverá conter um conhecido texto do Senhor, ou seja, a também grande e surpreendente palavra: ” Um novo mandamento vos dou, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei”.[2]

Em primeiro lugar, queremos nos informar sobre o conteúdo do novo mandamento. Quando Jesus anunciou que daria um novo mandamento, Ele levantou as expectativas de seus ouvintes ao máximo. Eles acreditavam que agora receberiam algo extremamente novo e inesperado. Presumo que eles, porém, experimentaram uma decepção. Amar um ao outro, isto não é uma bem antiga exigência? Não está já escrito em Levítico 19:18 “Ama teu próximo como a ti mesmo”? Provavelmente juntou-se uma segunda decepção: o “novo” mandamento contém apenas moral, simples prescrição de costumes, nada de pensamentos básicos do Evangelho, nada de incentivo sobre aceitação da graça destinada a um pecador arrependido ou a respeito do amor de Deus a todo mundo, nem da luz celeste que concede um esplendor ao triste semblante desta terra, sim até mesmo nada de religião!

Todavia, ambas as objeções sucumbem se observarmos nosso texto de mais perto. Vejamos: Jesus diz em nosso texto: “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei“. Esse amor de Jesus na realidade não é algo há muito tempo conhecido, mas sim algo completamente novo na história, que não existia nem antes e nem depois de Jesus, algo inauditamente audacioso e avassalador, impetuoso e #rompedor, não apenas belas palavras e matraquear sem espírito. Jesus não foi nenhum pirotécnico que cobriu os admirados expectadores com fogos de artifício; contudo eles não receberam nem ouro e nem fogo. Amar a Jesus foi um lutar e criar árduo, um constante entregar-se, foi ação e sacrifício. Atrás da expressão: “assim como eu vos amei” está um viver que com apaixonado ardor foi dedicado à auxiliadora, misericordiosa e salvadora graça, e um morrer que representou o ponto alto e o inevitável resultado desse amor. Isto experimentaram os enfermos que Ele curava, os aflitos que consolava, os desenganados que Ele protegia da queda no abismo e reencaminhava ao bom caminho, os inimigos pelos quais Ele orava, as crianças que Ele abençoava, os desesperados, aos quais Ele concedia, através de Sua promessa da graça divina, a força para o arrependimento e o presente de uma nova vida na luz. Aquilo que o cavaleiro da Idade Média expressava no seu brasão, na vela acesa e no adágio: “enquanto eu sirvo, eu próprio me consumo”, Jesus fez em sua vida. Isto é o novo, o grandioso, o comprometedor em seu “novo mandamento”. Apenas em nossa pequena Suíça existem muitas centenas, sim até milhares de obras sociais de amor, organizações e associações que querem servir em nome de Jesus Cristo a necessitados: orfanatos e hospitais, asilos e instituições de socorro a combatentes e mutilados. Ninguém vai negar que neles o amor a Cristo realiza louváveis ações. Freqüentemente encontramos neles grande manifestação de sacrifício, uma humildade que envergonha, uma demonstração exemplar de amor ao próximo.

O amor de Jesus é autêntico, puro, altruísta, por isso fiel até a morte; o nosso, no entanto, está misturado com manifestações mesquinhas e impuras. Daí ser muitas vezes inconstante e não-confiável. No pequeno espaço da alma humana sempre de novo o amor e o ódio se chocam violentamente, e alternadamente reina amor ou ódio. No outono de 1914 eu presenciei uma cena impressionante que demonstrava este fato: uma aldeia da Alsácia, poucos dias antes sofrera um massacre que também vitimara muitos civis. Agora, porém, os soldados entregavam-se a folguedos com as crianças órfãs: riam, corriam, brincavam de cavalinho e davam-lhes carinho. Eram os mesmos homens que pouco antes mataram os pais destes pequenos. E as crianças aceitaram os folguedos, sim, eles abraçavam os assassinos dos seus pais. Depois de pouco tempo saberão o que aconteceu, e odiarão aqueles que agora amam. Mesmo o amor mais intenso não é totalmente confiável, já sabemos que o sentimento que irrompe na maior paixão muitas vezes não tem muito futuro. A maior parte dos casamentos não se efetiva sem amor e as separações remetem ao final deste, mas também um número preocupante de inscrições em lápides menciona o final trágico de um amor. É doloroso ter em casa um morto querido, porém mais doloroso ainda é quando o próprio amor está morto em casa. Quanto matrimônio iniciado em amor já experimentou isto!

Mesmo o amor nascido piedosamente é tão diferente da entrega incondicional de Jesus a Deus, tendo regredido a um auto-engano piedoso, melhor dito, impiedoso. Muitos cantam no Domingo pela manhã com comoção interior: “Eu quero amar-te maravilhosa luz, até que meu coração rompa,” e: “Eu quero amar-te com obras e sempre duradouro desejo”[3], mas sua vida nem de longe está baseada na promoção das coisas de Deus aqui na terra, e com isso na multiplicação do bem social, da justiça social, da paz e da alegria. Muitos cristãos são iguais aos primitivos que reconhecem um supremo Deus-criador e oportunamente lhe dirigem uma prece, mas na vida prática não perguntam por Ele, e passo a passo reverenciam demônios e “deuses” de seus antepassados, dando somente a eles suas oferendas, até sacrificando seus próprios filhos e praticando a auto-mutilação. Só que além de colocar o Deus dos Céus e da Terra em segundo plano, adoram a um só “deus”: seu sórdido, gordo e tolo eu.

Mesmo que o amor humano não seja mera alucinação, ele apresentou-se apenas uma única vez perfeito: em Jesus Cristo. O mandamento de amar assim como Ele o fez, não é portanto um aburguesado sermão moralizante, mas uma heróica exigência. Foi uma ousadia produzir este mandamento, pois apresenta incontáveis riscos na sua execução. Quem não compreender que este mandamento do amor recíproco, como anunciado por Jesus, é algo inédito que nos desafia diariamente com novas exigências ousadas, não captou seu sentido e está infinitamente distante da sua realização.

Você vê, caro ouvinte, que é uma insensatez retirar do novo mandamento a sua profundidade, e o acusar de estar longe do eixo da fé cristã. Pelo contrário, ele engloba o centro da devoção de Jesus. Ele fornece a expressão mais pura da fé de Jesus. O amor consiste na essência de Deus para Ele, e por isso a exigência do amor aos irmãos é o mandamento mais elevado, ou ainda melhor, o único. Este mandamento expressa tudo que a lei e os profetas disseram, e nós acrescentamos: que os evangelhos e os apóstolos nos pedem. Não se pode amar as pessoas como nosso guia o fez sem amar a Deus de todo coração. Para mim foi sempre motivo de alegria que acima do nosso púlpito esteja escrito em belas letras o mandamento-base “Amarás a Deus de todo coração, de toda alma e de todo entendimento, e ao próximo como a ti mesmo”. No quarto evangelho consta como sentença fundamental de Jesus: “nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns para com os outros”. Assim como na natureza se torna impossível separar o calor da luz do sol, também o é querer separar o mandamento do amor da fé.

Também esta união íntima da fé em Deus e amor aos irmãos é algo singular na história da religião, e garante que a exigência de Jesus referente ao amor é na realidade um mandamento bem novo. Vocês também entendem agora o motivo de nos meus sermões eu ter colocado tão pouca importância em dogmas e normas eclesiásticas bem como na discussão de questões polêmicas. Mesmo que em meus próprios estudos estes problemas teológicos e filosóficos tenham estado tão presentes, sempre necessitei colocar como único ponto central: Deus é amor, e como resumo de todo o desafio, sua conclusão: “quem permanecer no amor, este permanece em Deus e Deus nele”. Se pudesse novamente recomeçar toda minha caminhada, eu não poderia agir diferente.

Nós vemos assim que não se pode desligar o “novo mandamento” da pessoa do legislador. Caso contrário nós corremos o risco de que possa degenerar em banalidade. Jamais esqueça como Jesus lutou e sofreu por seu mandamento de amor ao próximo, como Ele tomou sobre si perseguição, vergonha, angústia mortal para realizar tudo isto em plena obediência a Deus! Hoje a luta e sofrimento por este santo objetivo não seriam menos perigosos. Sem riscos, podemos concordar com a palavra ainda festivamente perfumada de Schiller “Eu vos abraço, ó milhões, este beijo ao mundo todo!”[4], mas não se pode anunciar e viver seriamente o “novo mandamento” de Jesus sem se expor a graves conflitos. Não só os discípulos, mas também as palavras de Jesus são como rebentos na videira. Ambos unidos a Cristo, trazem ricos frutos. Separados tornam-se fracos e sem valor.

Mas não apenas como comentário vivo nosso Senhor e Salvador é indispensável, mas igualmente como auxiliador que nos capacita a fazermos progressos na nova e enorme prescrição. Sem Ele, acontece com o mandamento de Jesus o mesmo que com uma ordem sempre repetida, cansativa e enfadonha: prescrições moralistas insistentes conseguem geralmente o oposto a que se propuseram. Ordenar amor seria insensato, só se pode recomendá-lo. Se Ele, que nos amou primeiro e que deu Sua vida por nós, marchar à frente, se nos chamar Aquele que trouxe a alegria do Natal, o sacrifício da Sexta-feira Santa, o herói da Páscoa a quem devemos tanto, o nosso Salvador, então Seu convite terá bem outro impacto. Ainda hoje o lugar onde obtemos a maior força e onde recebemos a maior bênção é a fonte que emana ao pé da cruz e que, como um vivo caudal, atravessa os recantos da Terra e os séculos da existência.

Com tanta urgência necessitamos desta bênção: o mundo retumba ao soar das armas e ao romper dos maiores ódios. Milhões de pessoas estão postadas umas contra as outras em atitudes hostis, armadas com os mais terríveis instrumentos de extermínio que a história já mostrou. Dia após dia devemos temer que a anunciada matança em massa possa irromper, onde milhares de jovens terão suas vidas florescentes sacrificadas. Ninguém sabe o que aguarda nossa pátria amante da paz. O ódio, que não se intimida nem um pouco diante dos atos mais cruéis, assumiu o trono a que somente o amor tem direito. Parece como se o mundo estivesse cheio de demônios que quisessem nos tragar. E quando as hostes do inferno se acalmarem, os homens ficarão mais sábios ou ainda mais tolos através das perdas sofridas? Quem se apoiar na inteligência dos homens pisará em falso, pois a inteligência é uma serva venal e fraca, que se coloca à disposição dos instintos mais vis. O que necessitamos com urgência é de um poder que visa mais ao nosso bem do que a política do revólver em punho e do contrato quebrado entre risos. Somente aquele que nos presenteou com o mandamento do amor fraterno e que ainda hoje luta em favor deste mandamento dentro de nós pode nos ajudar. Pois ele está em harmonia com a vontade do Criador, nosso destino e verdadeira natureza, contra qual o mundo odioso, dedicado e submisso à mentira, à malícia, aos instintos sanguinários em vão se rebelam. Onde Jesus com seu mandamento de amar uns aos outros se impõe, ali reina paz, força através da alegria, vida em sentido mais supremo e esplêndido, também reina bem mais juízo do que entre aqueles que olham o cristianismo com desprezo e constróem uma religião própria para suas necessidades do momento, mas que com isso também, como loucos, arrastam os povos, não somente o próprio, para o abatedouro e os jogam num mar de sangue.

Onde o sentido do novo mandamento se desenvolveu plenamente os homens reencontraram novamente o paraíso perdido por Adão e Eva, até de uma forma incomparavelmente mais bela e espiritualizada. Onde este mandamento penetra, Deus realiza um milagre de criação maior do que através de Sua palavra: “Haja luz”! Pois a eterna luz começa a brilhar em almas que antes estavam envoltas de escuridão e neblina. O mais pobre na terra fica rico através deste amor, que vem de Deus e é projetado através do espelho de uma alma humana a outras almas. Para cada povo, para cada alma, também para a sua, existe apenas uma regra básica que garante verdadeira salvação e vida autêntica: o novo mandamento do amor fraternal,

mas compreendido a partir da fé em Deus de Jesus.

Por isto, querida igreja, não saberia deixar melhor legado do que o do apóstolo João da lenda, ou ainda melhor: o do próprio Jesus em nosso texto. Eu lhes desejo que se amem uns aos outros, como Ele nos amou. Desejo-o a vocês, queridos alunos da Escola Dominical, que com olhos radiantes sempre estenderam as mãos, a vocês, jovens freqüentadores das aulas de ensino religioso, que tornaram estas horas uma festa, a vocês, recém-confirmados, que em inúmeras reuniões procuraram juntamente comigo saciar a sede do mais elevado e melhor neste mundo, a vocês, cônjuges, que colocaram seu matrimônio diante do altar de Deus para proteção e serviço, a vocês, necessitados de consolo e auxílio, que nas horas de medo, ansiedade e fome de vida entraram anonimamente em minha casa, a vocês, idosos, que sentiram ardente saudade da verdadeira pátria celestial e não puderam acalmá-la neste mundo passageiro. Eu quero legar o melhor e o mais precioso a vocês. Por isto eu os remeto ao novo mandamento de Jesus. Facilita-me a despedida saber que meu colega de ministério, ao lado do qual trabalhei 17 anos, bem como meu futuro sucessor, se empenharão com todas as energias para que este novo e eterno mandamento traga sempre a maior bênção. E assim me permitam, a exemplo do que fiz no sermão de posse, encerrar meu sermão de despedida com as palavras do poeta:

“Torna-me na fé cada vez mais fiel,

E conceda-me o fruto da fé, o fogo sagrado

do amor sem tingimento!

Sem eles não poderia continuar minha jornada,

Pois para este amor somente o amor poderá conduzir,

Somente ele me conduz através do mundo a ti”! Amém.[5]

(Tradução do alemão para o português, por Érico Werner Kepler, Carazinho/RS, junho/2003)

Revisão de Karin Kepler Wondracek

[1] I Coríntios 13. 1

[2] Evangelho de João 13.34

[3] No original: Ich will dich lieben, schönstes Licht, bis mir das Herze bricht; e Ich will dich lieben mit dem Werke und immerwährender Begier.

[4] “Seid umschlungen, Millionen, diesen Kub der ganzen Welt!” Faz parte da estrofe cantada no quarto movimento da Nona Sinfonia de Beethoven.

[5] No original: Mache mich im Glauben immer treuer,/ und des Glaubens Frucht, das heil’ge Feuer/ ungefärbter Liebe schenke mir! / Ohne sie könnt ich nicht weiter schreiten, Zu der Liebe kann nur Liebe leiten, Sie nur führt mich durch die Welt zu dir!

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