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Prática em tempos de pandemia: O que acontece quando você planta uma árvore? por Richard Rohr

Prática em tempos de pandemia: O que acontece quando você planta uma árvore?

Richard Rohr*

Enquanto continuamos a praticar o isolamento físico de outros humanos, a maioria ainda pode passar um tempo na natureza. O “Journal of Health Psychology” confirma o que os franciscanos e místicos já sabiam: interagir com a natureza é um grande alívio de stress. Apenas 30 minutos de jardinagem baixam o cortisol liberado durante o stress induzido pela reação luta-e-fuga. A prática de hoje, escrita pelo poeta, escritor e educador Trevien Strange para o livro “Order for the Sacred Earth” (Ordem para a Terra Sagrada)[1] , nos convida a fazer uma contribuição contemplativa específica ao plantar uma árvore.
Robin Kimmerer, etnobotânico, autor e ancião da tribo Potawatomi afirma: “Nós precisamos de ações de restauração, não apenas para águas poluídas e terras degeneradas, mas também para nossos relacionamentos no mundo. Devemos restaurar honra ao modo como vivemos, para que quando caminharmos através do mundo, não precisemos baixar nossos olhos com vergonha, para que possamos manter nossas cabeças erguidas e receber o reconhecimento respeitoso do resto dos seres da terra”.[2] Estou convencido de que cada indivíduo pode participar na Grande Virada, e que um dos grandes desafios de nosso tempo, para cada um de nós, é de como e quando nos conectarmos nesta corrente psico-espiritual. Eu, por exemplo, planto árvores … Em meu trabalho mais recente como professor do estudos ambientais numa escola comunitária de Vermont, tive a ajuda no plantio de modestas 100.000 árvores nos últimos 12 anos….
O que acontece quando você planta uma árvore? O que acontece quando você manuseia a pá numa mão (um artefato humano) e uma árvore (um mistério provisional) na outra mão?
O que acontece quando você cava um buraco (uma destruição) e planta uma árvore nele (um ato de criatividade)? O que acontece quando você aprende sobre a sua ecologia local não somente como observador, mas também como participante? O que acontece quando você abraça a selvageria de uma árvore em crescimento e a integra em uma rua e na movimentação semi-selvagem de sua comunidade local?
O que acontece quando você abre uma fenda em seu senso de isolamento e planta em seu coração este símbolo da nossa contínua interação (“ever-branching inter-beeing”)? O que acontece quando você considera suas ações em termos de seu legado ecológico e cultural? O que acontece quando você se move além dos seus conceitos atuais e se questiona sobre que tipo de ancestral você quer ser? Nelson Henderson afirma que “…um verdadeiro sentido de vida é plantar árvores sob cuja sombra você não espera sentar”. [3] Sob que sombra você está sentado hoje? Que sombra você deveria ajudar a doar para o amanhã?

* Center of Action and Contemplation, em 23.5.2020, disponível em weeklysummary@cac.org.

Tradução de Gisela Roepke e Karin Wondracek.

[1] Trevien Stanger, “Tree Planter,” Order of the Sacred Earth: An Intergenerational Vision of Love and Action, Matthew Fox, Skylar Wilson, and Jennifer Listug (Monkfish Book Publishing Company: 2018), 184-186.

[2] Robin Wall Kimmerer, Braiding Sweetgrass: Indigenous Wisdom, Scientific Knowledge, and the Teachings of Plants (Milkweed Editions: 2013), 195.

[3] Wes Henderson shared his father’s advice in Under Whose Shade: A Story of a Pioneer in the Swan River Valley of Manitoba (W. Henderson & Associates: 1986, ©️1982).

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