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A FORMAÇÃO TÉCNICA-PROFISSIONAL DO AJUDADOR, por Simone Valério

Artigos e Notícias
A formação técnica-profissional do Ajudador(Esboço de um “compartilhar” em 21 de junho de 2001 – Jornada Semestral do CPPC/SP)

“O essencial para o comediante é entregar-se. Para dar-se é necessário que primeiramente, possua-se a sim mesmo. Nosso ofício, com a disciplina que pressupõe… é trama própria de nossa arte, junto com a liberdade que esta exige… A técnica, não só exclui a sensibilidade, como a autoriza e a coloca em liberdade… Graças ao ofício, podemos abandonar-nos, porque graças a ele, saberemos tornar a nos encontrar.” J. Copeau

Por que somos Ajudadores?

Segundo Rodolfo Bohoslavsky, toda escolha supõe uma ou mais renúncias. Se escolho alguma coisa, deixo de lado outras. Então, nossa escolha profissional nos coloca diante de um conflito porque tivemos de abrir mão de outras ocupações. Tanto melhor será lidar com este conflito, quanto mais tivermos clareza da nossa vocação e do que nos motivou a isto.

Muitas vezes, também, ao longo de nossa carreira, podemos passar por re-escolhas. Isto vai implicar em constante aperfeiçoamento técnico. Quanto mais “descobrimos” a profissão abraçada, mais renúncias faremos para nos desenvolvermos em “nossa” área.

Em nossa época acadêmica, a evidência residiu na formação técnica. A identidade de um estudante vai se transformando a medida em que se caminha para o final da graduação (rito de passagem). Vejamos o comparativo:

ESTUDANTE                                                            PROFISSIONAL

 Recebe informação mas pouca experiência                     Experiência
 Atua como estagiário                                         Tem regulamentação: CRP, CRM …
 É monitorado                                                 Responde pelo que faz; supervisiona
 “Simbolicamente protegido”                            Frequentemente desafiado

Do ponto de vista psicanalítico, tornar-se profissional pressupõe a elaboração de um luto, ou seja, superar a “dor da morte” do papel de estudante, para ir construindo a identidade profissional. Podemos dizer então que a técnica compõe apenas uma das partes de um profissional.

As técnicas referem-se às ferramentas das quais lançamos mão em nossa atuação. São extremamente importantes e devem ser usadas com cuidado e responsabilidade. Da mesma forma, quando saímos em busca de novos estudos.

O desenvolvimento do Profissional implica na evolução de uma pessoa através de uma carreira. Se estamos falando de uma pessoa, estamos falando de um “EU” – características individuais, mundos consciente e inconsciente que ditam valores, sentimentos, emoções e intuições.

Torna-se importante então, repensar a técnica através de si próprio: como me impacta, que estímulos me traz, a que reflexões sou submetido. O auto-conhecimento é peça chave para o aperfeiçoamento contínuo do profissional. Com ele, vem a valorização de habilidades e características que já possuo e o desafio de transpor obstáculos que estão me impedindo de atuar melhor.

Isto nada mais é do que a tão em moda INTELIGÊNCIA EMOCIONAL.

E como conceber o Ajudador Cristão?

O ajudador cristão acima de tudo é um privilegiado na medida em que foi atingido pela GRAÇA de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

A busca pelo aperfeiçoamento técnico será insatisfatória se na identidade profissional do cristão não houver uma vida de íntima comunhão com o PAI.

Cada um traz para o exercício profissional, seu universo pessoal. E, cada cliente, por sua vez, é Único. SOMOS PROFISSIONAIS DE ENCONTRO.

Lembramo-nos de Fp 1.6 : Tendo por certo isto mesmo que, aquele que em vós começou a boa obra há de aperfeiçoá-la até o dia de Jesus Cristo.

Que Deus nos abençoe! Simone Valerio

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