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II Simpósio Baiano de Espiritualidade e Prática

Palestra de abertura

Sofrimento, saúde mental e Cristianismo

Dr. Tiago Alfredo Ferreira

Pessoas sofrem. Cristãos são pessoas. Cristãos sofrem. Isto deveria ser inevitavelmente intuitivo para qualquer pessoa que já viveu um pouco mais do que a primeira infância. No entanto, a reação de muitos cristãos ao ouvirem que um irmão está em sofrimento é frequentemente capturada em alguma destas frases: “você deve repreender esta tristeza! A alegria do Senhor é a nossa força!” Ou “você precisa orar e ter fé! Um cristão não pode ter depressão!”. Reações como estas, para alguém em sofrimento, são atos de violência travestidos de piedade – mas são comuns em nosso meio. Para além do agravo moral, a literatura científica em saúde mental têm demonstrado que um dos maiores preditores para psicopatologia é o esforço para controlar o sofrimento, bem como a indisposição a incorporar a experiência subjetiva dolorosa como partícipe de uma história de vida significativa. O cristianismo, não obstante sua clara adesão literária a uma ética do bem viver transcendente à mera experiência prazerosa, precisa ser retomado em experiências eclesiásticas e comunitárias promotoras de saúde mental a partir da ressignificação do sofrimento. 

 

Mesa Redonda 

Fala 1.

Ensino de Psicologia e desafios epistêmicos para a ética cristã

Dr. Tiago Alfredo Ferreira

O Ensino de Ciências, em geral, e o Ensino de Psicologia, em particular envolvem uma tensão essencial em seu campo normativo. Alguns autores defendem que o objetivo do ensino de ciências deve ser a crença na ciência, frequentemente concebida como a negação da crença religiosa,  enquanto outros autores defendem que tal normatividade seja deflacionada para uma crença confiável sobre a ciência, compatível com crenças religiosas. Nesta apresentação defenderemos que o objetivo do ensino de psicologia deve transcender a mera crença e enfatizar o entendimento como categoria epistêmica central, com mobilização de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais. Defenderemos, também, que este objetivo epistêmico é compatível com uma retomada da ética cristã como partícipe do debate sobre saúde mental.  

Fala 2. 

Ética Cristã e Saúde Mental

Ms. Mateus de Mattos Souza

É defensável, quiçá necessário, que o cristianismo pode ser entendido como uma ética robusta, um conjunto de direções para uma boa vida. Como tal, o cristianismo é um protagonista importante nos atuais debates acerca dos objetivos éticos que devem orientar nossas práticas culturais voltadas para a promoção de saúde. Se o cristianismo for apenas um seguir regras morais sem uma reflexão sobre o sentido último delas, ele terá um frágil papel na construção de uma cultura valorosa nos nossos domínios de vida em sociedade, tal como nossas práticas em saúde. Contudo, se fizermos uma reflexão ética acerca das prescrições morais de Jesus, entenderemos que elas têm por objetivo a concretização de uma vida significativa, viva e abundante – e isso é uma vida com saúde. O primeiro Salmo nos diz que meditar (e podemos entender meditar, também, como refletir) na lei do senhor nos permite viver como Árvore Plantada, que frutifica no tempo certo e cujas folhas não murcham. É, portanto, legítimo e desejável que o cristianismo assuma um maior protagonismo neste debate.

Fala 3. 

As Virtudes Cristãs e a Saúde Integral

Caio Marcos Ribeiro Gonçalves (Formando em Medicina (Unifacs), Bacharel em Teologia (STBNe), Pesquisador na área de Espiritualidade e Mudanças de Estilo de Vida. Autor do livro “Judith Butler, Teologia e Revolução”.) 

Apesar do contexto negativo ao qual a religiosidade era associada na primeira metade do século XX, inclusive como fonte de adoecimento, a OMS reconheceu a espiritualidade como uma dimensão essencial da qualidade de vida e da saúde. Essa declaração se fundamenta em quatro décadas de estudos que vem mostrando a associação entre altos níveis de religiosidade/espiritualidade (R/E) com diminuição dos níveis de mortalidade, câncer, doenças cardíacas, assim como como desfechos favoráveis de saúde mental, a exemplo de esperança, paz, significado de vida, felicidade e otimismo. A tradição cristã, em especial, tem enfatizado a importância de virtudes como o perdão e a gratidão, os quais vêm sendo estudados como sendo capazes de produzir intervenções com desfechos favoráveis para saúde física e mental. Assim, o estudo do impacto das virtudes cristãs na saúde é um campo de importância para compreensão da integralidade da R/S na existência humana.

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